terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A interpretação da Alquimia

Em diferentes culturas da Antiguidade, desenvolveu-se também outro modo de interpretar o mundo, a alquimia. Ela é, em geral, vinculada ao traba-lho prático da metalurgia, quando a arte da transformação dos metais adquiria conotações de uma arte sagrada. Seria uma tentativa de compreender os segredos mais íntimos da matéria, de encontrar a cura de todos os males, do aprimoramento do espírito, da busca pela eternidade, da fabricação de ouro.

Documentos do século XV mostram uma forma de compreensão da natureza e explicação das causas dos fenômenos naturais envolvendo princípios alquí-micos vinculados à transformação da matéria (transmutação). Mencionam a trans-formação de um metal em outro e a busca pela pedra filosofal. Diversos filósofos naturais do período, entre eles alguns alquimistas, buscavam a causa dos fenôme-nos e associavam os questionamentos de pensadores e filósofos da Antiguidade à prática experimental. Tais trabalhos, que vinham desde, pelo menos, o século X, parecem constituir uma tentativa de formalização de receitas medicinais e de trata-dos diversos e suas compilações, que descreviam métodos para se encontrar novos elementos na natureza a partir da manipulação de substâncias (BELTRAN, 2006).

O ambiente do Renascimento, em que estes estudiosos viviam, favorecia e estimulava novas experiências. Neste contexto alguns fenômenos (que poderíamos entender como explicitando alguma concepção sobre o calor) são explicados pela presença de um elemento novo, semelhante a uma substância purificadora, que recebeu diferentes nomenclaturas e explicações. Em alguns casos, esta substância poderia ser empregada na transmutação da matéria ou para fins medicinais. Segundo alguns historiadores, foi Paracelsus (1493-1541) quem trouxe à tona o termo alcahest para tal substância, tratando-o como um remédio a ser manipulado para tratamento do fígado, mas sem explicitar exatamente qual a sua composição, nem mesmo se era uma substância composta (PORTO, 2002; ALFONSO-GOLDFARB; FERRAZ; WAISSE, 2009). 

O alcahest está na mesma categoria dos quatro elementos de Aristóteles, ou seja, seria um quinto elemento, ou quinta essência, já que não se misturava à substância que dissolvia. A possível associação com o elemento Fogo aparece no sentido de purificação ou capacidade de tornar a substância pura.

Referências:

GOMES, Luciano Carvalhais. A ascensão e queda da teoria do calórico. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 29, n. 3, p. 1030-1073, dez, 2012.

PIETROCOLA, Maurício; GURGEL, Ivã. Modelos e realidade: Um estudo sobre as explicações acerca do calor no século XVIII. EPEF. p. 1-11, 2011.

SILVA, Ana Paula Bispo; FORATO, Thaís Cyrino de Mello; GOMES, José Leandro de A. M. Costa. Concepções sobre a natureza do calor em diferentes contextos históricos. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 30, n. 3, p. 492-537, dez, 2013.

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